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sábado, 22 de outubro de 2011

COM QUEM VOU TRABALHAR? - AH, PRAZER. FILIPE, COMISSÁRIO DO VÔO.


Ser comissário é trabalhar praticamente o tempo todo com pessoas que você acabou de conhecer. É chegar no DO e literalmente fazer o "cara-crachá" para procurar quem serão seus colegas de trabalho nos próximos dias. Parece muito estranho isso, né? E vou ser sincero: É estranho mesmo! rs

No início, quando comecei a voar, tinha uma vergonha imensa de entrar no DO, sempre lotado de tripulantes. E mais vergonha ainda para procurar a tripulação! Dava um nervoso! Com o tempo, a casca vai ficando grossa e você não tem mais temor ou nervosismo. Fica até banal!

Quando você faz um vôo com uma tripulação que você não se identifica ou com aquele auxiliar que você julga mala, é ótimo saber que daqui a dois ou três dias você se despedirá e provavelmente não voará com eles tão cedo. Ufa!

Agora quando a equipe é incrível e divertida, é triste ter que admitir que daqui a dois ou três dias você terá que se despedir e provavelmente não voará com eles tão cedo. Droga!

Conforme os dias de vôo passam, mais você convive com aquelas pessoas desconhecidas. Principalmente em vôos longos, não há muito o que conversar a não ser sobre a vida ou sobre aviação. Aí de repente você percebe que está falando muitas coisas da sua vida pessoal para uma pessoa que praticamente você acabou de conhecer! É muito esquisito!

Primeiro, me sentia mal por ter falado tanto de minha vida para um ou outro colega. Mas hoje chego a conclusão que, como comissários, adquirimos sensibilidade e habilidade para identificar em tempo recorde pessoas com caráter e pessoas confiáveis. O comissário também adquiri a capacidade de fazer amizades com a velocidade de um jato.

Percebo também que é fundamental, de certa forma, criar laços com um ou outro da tripulação para que o vôo fique com uma cara mais familiar. Eu gosto dessa sensação. Nem sempre acontece, aí é um tédio! Mas normalmente tem sempre um tripulante com quem você se identifica mais. E essa será aquela pessoa que conversará com você na galley, que irá tomar sorvete com você na orla, tomará café da manhã junto ou dará uma corrida no parque com você.

Mais incrível ainda é quando você descobre que tem muitas coisas em comum com aquela pessoa e que pode trocar experiências de vida incríveis e informações preciosas. E mais que perfeito é quando você percebe o quão especial aquela pessoa é, e como foi surpreendente como vocês se tornaram amigos tão rapidamente. É duro ter que se despedir do vôo depois de conhecer alguém tão legal.

Às vezes curtos, às vezes fugazes, às vezes incríveis, às vezes eternos...os laços que a aviação me proporciona também são essenciais para meu crescimento!

domingo, 25 de setembro de 2011

THE SHOW MUST GO ON, ALWAYS!


No topo da página, onde se encontra o título do blog, eu digo que isso aqui é um diário de bordo. Mas normalmente os posts acabam sendo muito informativos. O que é muito bom também.
O que eu vou escrever hoje é o que mais se aproxima do que chamamos de diário de bordo mesmo.

Viver a vida louca que tenho não é fácil. Moro em duas cidades. Tenho obrigações nas duas, muitas coisas para resolver em ambas. E no meio disso têm os vários vôos que tenho que fazer. Nem sempre dá para resolver todas as pendengas. As vezes o que tenho que trazer para o Rio fica em São Paulo ou vice-versa. É tudo muito confuso.

E nessas poucas brechas que tenho, ainda tenho que visitar a família e ver amigos - o que é fundamental. Passo muito tempo com pessoas que acabei de conhecer - voltar pra casa é ter a chance de desabafar, sair para dançar, ou seja, receber doses de atenção de quem me conhece muito bem.

Aí pega isso tudo e encaixa na escala que tenho! Imagina! Não sobra muito tempo. Às vezes nem para dormir o quanto você queria. De vez em quando eu consigo dormir mais e melhor nos pernoites do que em casa.

Falando em pernoites, esses são algumas vezes entediantes. E isso traz a tona um dos lados negativos mais característicos da profissão: Solidão. Não há comissário que não tenha sentido ao menos uma vez solidão. Alguns não aguentam e acabam tendo síndrome do pânico. A solução para a solidão pode ser uma boa leitura, uma ligação, um chat ou um passeio com a tripulação. Se o grupo não estiver entrosado, aí o negócio todo fica complicado. rs

No meio desta vida turbulenta, se alguma coisa dá errado como por exemplo um problema pessoal que ficou por resolver no Rio ou alguma conta que eu esqueci de pagar, fica difícil se concentrar no trabalho como eu quero. Mas não há muito o que fazer. The show must go on. Eu tenho que me entregar e esquecer um pouco que tenho problemas do lado de fora do avião. Pode até ser que o trabalho ajude a desobstruir meus pensamentos negativos.

Vejo o trabalho do comissário como uma apresentação de atletas de nado sincronizado. Ao olhar dos espectadores, elas devem sempre estar sorrindo e mostrando graciosidade. Entretanto, debaixo d'água só elas sabem do esforço que estão tendo que fazer. Só elas sabem a dor nas pernas que estão sentindo ou o pulmão que está implorando por mais fôlego. O público não tem nada ver com isso. Eles querem beleza!

Com os comissários é parecido. Devemos sempre estar sorrindo e distribuindo gentileza. Não importa se tenho problemas pessoais para resolver, se meus dedos estão com calos por causa do sapato, ou se minha mão está estourada de tanto puxar trolleys e enfiar a mão em sacos de gelo. Os passageiros nada têm a ver com isso. Eles querem nos ver impecáveis e perfeitos.

Eu acho que o importante é saber reconhecer os pontos positivos e negativos da profissão. A partir deste momento, você consegue enxergar se realmente vale a pena estar naquele lugar fazendo aquilo. É muito difícil. Creio que tenho visto isso cada vez mais.

Minha vida está uma loucura, mesmo quando quero chorar tenho que estar sorrindo, nem sempre é bom pernoitar em Salvador, não é legal acordar 2 da manhã para trabalhar e nem tomar café na hora do almoço. Mas ainda sim tem tanta coisa incrível que estou aprendendo, vendo, fazendo e descobrindo...Tenho certeza que gosto do que faço e estou muito feliz com minha profissão - sem deslumbramentos e sem falta de censo crítico, claro!

Estou no lugar certo, sim. O show deve continuar, sempre. Não só na aviação, mas na vida.

domingo, 18 de setembro de 2011

A RESERVA


Segundo regulamentação, reserva é o período de tempo em que o aeronauta permanece por determinação do empregador, em local de trabalho a sua disposição - por no máximo seis horas.

Simplificando bastante o negócio todo, reserva é quando ficamos sentados no DO (Despacho Operacional) da empresa, rezando ou não para ser acionado. É literalmente sair de casa sem rumo. É você não saber se vai passar frio em Porto Alegre ou enfrentar o calorzão de Cuiabá. Fazer reserva é você se uniformizar, preparar sua mala e ir ao aeroporto sem saber o seu destino próximo. Se é que haverá um destino.

Para quem não sabe, D.O. é um mini complexo da empresa no aeroporto, onde se encontram representantes da chefia, balcão da escala, visores informativos, sala de DOV's, televisão, computadores para apresentação e consultas, achados e perdidos de tripulantes, guarda malas, salas de briefing, cadeiras e sofás, bebedouro e banheiros. É onde os tripulantes se encontram e aguardam para iniciar um voo ou cumprir uma reserva. É movimentação de tripulantes o tempo inteiro!

Ao chegar no DO para uma reserva, a primeira coisa que faço após me apresentar no computador é procurar alguém que eu conheça. Afinal de contas você tem que fazer alguma coisa para tornar a passagem do tempo mais rápida. E nada melhor do que colocar o papo em dia com um colega de trabalho. Se não encontro alguém, meu plano B é pegar meu "kit reserva". Neste kit tenho, um livro ou revista, meu notebook e meu telefone celular. Este kit é super eficaz para fazer o tempo voar.

As reservas podem ser nos horários mais loucos. Então se você tem uma reserva das 7 da manha até 13 horas, por exemplo, encontre logo um cantinho discreto para sentar porque pode ser que você caia no sono e tire uma soneca. rs E nada melhor do que a discrição.

O desejo ou não de ser acionado depende de vários motivos. Se naquele dia estou muito cansado porque fiz um vôo de seis dias na semana anterior, é fato que vou rezar para não ser acionado. Se minha escala está muito folgada certamente meu desejo será de voar. Ou se daqui a dois dias farei um vôo maravilhoso, é certo que não vou querer ser acionado para nenhum vôo que possa eliminar esse outro.

Ficar horas no DO, as vezes sem nada para fazer a não ser esperar o que vão decidir para a sua vida naquele dia, pode ser muito entediante. Você dorme, conversa, come, lê, dorme, ouve música, vê televisão, conversa mais um pouco, dorme de novo, organiza seus papeis, desorganiza para organizar de novo...o tempo as vezes simplesmente não passa.rs Por isso o próprio fato de fazer reserva já deixa o comissário louco para querer voar o mais rápido possível.

Quando ouve-se um sinal sonoro seguido da frase "Por gentileza, comissário.....comparecer ao balcão da escala", pode-se observar caras de alívio (ufa! não sou eu!), ou caras de agonia (droga, não foi dessa vez!). Ou então comissário "zuando" o outro por ter sido acionado.

Eu quase sempre sou acionado em reserva. A maioria delas foram um baque - pois por causa delas perdi vôos bons ou compromissos. Mas assim é a vida. Já estou me acostumando com isso.

Certa vez fiquei chateado por ter sido acionado em uma reserva para um vôo de 2 dias. Perdi outro voo bom por causa disso e deixei de pernoitar em casa naquela semana. Mas acabei tendo um pernoite surpreendente e incrível em São Luís. Acabei o voo feliz da vida. O certo é não reclamar ao ser acionado. Coisas incríveis podem acontecer num futuro próximo.

Como disse em um post anterior, a vida de um comissário se resume, entre outras coisas, em esperar! E a reserva é apenas uma parte disso.

domingo, 4 de setembro de 2011

INSIGHT - O VÔO DE ONTEM


Sobrevoando do norte ao nordeste, no meio do serviço de bordo, fomos obrigados a pôr em prática o que aprendemos na academia de treinamento. Mais uma vez acontece no meu vôo.

Durante o serviço de bordo uma passageira desmaia e fica estirada nos braços do comissário. Eu, que estava do outro lado do trolley, chamei a atenção do chefe de cabine através da chamada de comissário de um dos passageiros e saí do corredor rápido para liberar a passagem. Enquanto o comissário verificava o pulso da passageira, eu solicitei a presença voluntária de um médico a bordo. SORTE! Apareceram 3!
Levamos a passageira para a galley traseira e o médico tomou a frente. Enquanto eu pegava o cilindro de oxigênio e começava a abrí-lo, outra passageira também desmaiou!

Desta vez a galley dianteira serviu de espaço para o atendimento. E usamos mais um cilindro de oxigênio, como também kit médico, sacos de enjôo, e mais a força dos braços para levantá-la.

Dois comissários ficaram na frente e os outros dois na galley traseira - sempre acompanhados dos médicos. E ainda tivemos que atender a cabine de passageiros e terminar o serviço de bordo.

Acho que o ingrediente fundamental para que tudo tenha dado certo foi a paciência da tripulação. Agimos calmamente e com seriedade, o que mostrou segurança aos outros passageiros.

Essa não foi a tripulação que mais me identifiquei, pessoalmente falando, mas durante o voo o profissionalismo corre solto. Juntos, trabalhamos muito bem.

Ao final do voo, com as passageiras já sentadas e tranquilas, tivemos a sensação de dever cumprido. Naquele momento, tivemos a oportunidade de mostrar às pessoas o porquê de estarmos ali. Um voo inesquecível.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A LUTA DOS EXTRAS!


A empresa onde trabalho possui base apenas em São Paulo. Por isso nós, comissários, devemos ter um endereço em Sampa pois todas as nossas viagens se iniciam e terminam lá. Entretanto todos nós viemos originalmente de vários estados do Brasil. Logo, possuímos vínculos familiares e fraternais nas nossas cidades natal.

A empresa nos dá como benefício o chamado "Passe" que nos possibilita viajar pelo Brasil sem nenhum custo, desde que haja assento disponível no avião, é claro. Com esses passes temos a oportunidade de visitar nossos familiares e voltar às nossas raízes para matar saudade do que deixamos para trás. E isso é maravilhoso!

É incrível saber que você vai folgar exatamente no dia do aniversário da sua mãe ou chegar a tempo de pegar um vôo para sua cidade e curtir o aniversário de seu afilhado. Amo São Paulo, mas minhas raízes e meu combustível emocional (família, amigos e lugares) estão no Rio de Janeiro. Os passes são ainda mais importantes para quem é casado e possui filhos. É bom voltar para casa e receber carinho de quem gosta de você, por mais bicho solto que você seja.

Como disse, só conseguimos embarcar quando existem assentos disponíveis no avião. Somos os "tripulantes extras não remunerados".
Mas...e quando tem mais tripulantes do que assentos? Como fazemos? No caso da minha empresa a hierarquia é fortíssima. Ou seja, Comandantes, Co-pilotos e depois comissários. Quando o assento é "disputado" apenas por comissários, a regra favorece os mais antigos. Justo, não?!

Mas dá dó, por exemplo, quando vejo uma comissária que trabalha há 6 anos na empresa ficando em solo porque um co-piloto que está na empresa há 2 meses passou sua frente e ficou com o assento. Isso já não seria tão justo assim, né? Mas Hierarquia é Hierarquia.

Quando somos em grande número o negócio todo complica. Comissários do Rio de Janeiro e Porto Alegre sofrem para voltar para casa. Somos em grande número na empresa. Os cariocas tem a vantagem de possuírem a ponte aérea - de 30 em 30 minutos temos voos. Mas os gaúchos enfrentam uma via cruzes para poder embarcar.

Depois que todos os passageiros embarcaram, nós entramos no portão, damos nosso cartão de embarque e praticamente formamos uma fila perto da porta do avião. Nos horários tranquilos nem precisamos fazer isso. Mas quando os voos lotam, fica aquela fila de tripulantes rezando para ter assento. Quando o cms é de uma turma nova, ele fica já sem esperanças quando a fila está grande.

E quando você acha que vai embarcar e, aos 45 do segundo tempo, chega uma comissária da turma 60 e passa a sua frente - pode dar adeus àquele voo. rs Ou o co-piloto que chega quando você está praticamente entrando na aeronave...pode dar meia volta e esperar o próximo.

Para fugir destas filas e desta angústia de não saber se vai conseguir embarcar ou não, buscamos os horários alternativos. Aqueles horários de voos mais tranquilos. Normalmente quando se é mais novo, esta é a opção mais segura! O número de comissários aumentou muito neste último ano - mas o número de voos praticamente nao mudou. Então devemos nos precaver para não correr riscos.

Digo isso depois do "drama" que passei no dia 30 de dezembro de 2010, quando ainda era um comissario de fraldas e estava com o meu primeiro passe na mão. É claro que a data era totalmente não favorecida ao nosso lado. Todos os voos lotados e eu fiquei 9 horas no aeroporto tentando embarcar. Só consegui na última ponte. Os comissários não paravam de chegar e eu, como era da última turma, sempre ficava para trás. Uma luta que me fez pensar duas vezes antes de tentar embarcar em horários e datas de grande movimento.

Na maioria das vezes voltamos para São Paulo um dia antes de nosso voo, ainda durante nossa folga, com medo de não conseguir embarcar no dia seguinte. Alguns comissários já faltaram em voo porque o aeroporto de sua cidade fechou ou porque não conseguiu embarcar por não ter assento disponível - isso foi o que ouvi falar.

Pois é, essa nossa luta para voltar para casa e para voltar para base vai sempre acontecer. No meu caso, até a empresa criar a Base Rio, que está saindo do forno. Hummm
Mas por enquanto só para os tripulantes da Internacional. :( Mas eu ainda vou chegar de voo e dizer: Estou indo para casa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O PASSAGEIRO PERFEITO - DICAS DE ETIQUETA A BORDO


Supomos que eu seja o passageiro ideal:

Chego na porta do avião e recebo um sorriso seguido de um "Bom Dia". Eu vou olhar para o comissário e devolver o Bom Dia. Isso é de praxe!

Vou procurar o meu assento e se tiver alguma dificuldade pedirei "por favor" para que algum comissário me auxilie.

Ouvirei quando o comissário disser no interfone para eu acomodar a minha bagagem no compartimento acima ou embaixo da poltrona a minha frente. Assim como desligarei meu telefone e ipod quando a comissária anunciar que devo desligá-los.

Na hora em que o comissário me oferecer balas, eu pegarei uma, talvez duas balas e não 10, 20, 30.

Durante o vôo de cruzeiro, se eu quiser pedir algo ao comissário que estiver passando pelo corredor, eu acenderei a chamada de comissário, chamarei pelo nome que estiver no crachá ou simplesmente soltarei um "por favor", um "por gentileza". Nunca, jamais e em hipótese alguma cutucarei o cotovelo do comissário, soltarei em alto som um "psiu", assobiarei ou chutarei o comissário.

Na hora do serviço de bordo, já teria ouvido através do sistema de som as opções de bebidas e não ficarei minutos pensando o que vou beber.

Tudo no avião está sinalizado e ilustrado. Por isso, quando for ao banheiro eu lerei em frente a mim, ou seja, debaixo do meu nariz, a frase: EMPURRE. E não ficarei procurando alguma maçaneta ou buscando formas mais complexas de abrir a porta. Jamais arrancarei a porta tentando abri-la.

Ainda no toalete, lerei ao lado da pia a palavra: LIXEIRA. Logo ali será o lugar onde colocarei meus papeis, e não no chão ou dentro do vaso. Afinal de contas, bem ao lado do vaso há outra frase: NÃO JOGUE PAPEL DENTRO DO VASO.

Se a comissária anunciar que estamos atravessando uma área de turbulência, jamais levantarei.

Se eu passo mal e utilizo o saco de enjoo, eu mesmo levarei o saco ao toalete e não chamarei a comissária para pedir para ela pegar o meu vômito.

Se eu for dormir e usar a fileira de 3 assentos, não colocarei meus pés para fora, no corredor. Até porque vai atrapalhar a passagem das pessoas.

Ao pousar, ficarei sentado até a parada total da aeronave, como o comissário anuncia. Não levantarei com pressa já querendo abrir o bin para pegar minha mala. Afinal de contas, até a porta abrir vai demorar mesmo...não tem porque eu ficar em pé.

Ao ir embora, feliz por um vôo seguro, devolverei o "obrigado" da comissária e irei para minha casa, ou trabalho, ou viagem de ferias....

Se todos fossem assim, deixaríamos de passar por várias situações. E talvez tivéssemos menos histórias para contar.

Próximo Post: A ETERNA TENSÃO DOS EXTRAS

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PILOTO AUTOMÁTICO


Fiquei um tempo sem escrever. Não por falta de vontade. Mas por falta de lacunas nos dias que se passaram. Quando tive tempo livre, me entreguei ao ócio ou à tentativa de ter uma vida social normal com meus amigos e família.

Tenho percebido que quando a escala está bem apertada, ou seja, seis dias de voo para um de folga, fico meio que ligado no piloto automático. Me entrego em uma louca rotina de voos, hotéis, ócios e aeroportos. Às vezes nem dá para saber muito bem onde estou ou para onde estou indo. No início, procurava saber exatamente para onde ia ou em qual hotel ficaria. Mas de repente só penso na cama que vou descansar e em qual horário vou ter que acordar. Parei de me perguntar com frequência para qual destino estou voando.

Não acho isso ruim. Apenas estou me concentrando em outras coisas. É bom às vezes não deixar a cabeça pesada com muitas perguntas, muitos questionamentos. O piloto automático é exatamente para isso, certo? Segundo definição o piloto automático permite uma navegação mais precisa e econômica. E às vezes, não há nada melhor do que manter a mente leve e economicamente saudável! rs

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