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quinta-feira, 29 de julho de 2010

SIMPLESMENTE CLARICE


MINHA SEGUNDA MÃE:


O sonho

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

Clarice Lispector

quarta-feira, 28 de julho de 2010

IPANEMA


Não há nada melhor do que passear em Ipanema em dias ensolarados. Prefiro as formas quadradas do calçadão de Ipanema que as curvas de Copacabana. Convenhamos que a orla de Copacabana a noite é muito mais excitante que a orla de Ipanema. Mas é apenas um detalhe que está longe de mudar minha preferencia.

Ipanema tem um ar mais caseiro para mim. Chegar na Vieira Souto sentindo uma brisa do mar mais gostosa no rosto e ver o sol esquentando os coqueiros e os corpos bronzeados estirados na areia não me causam outra sensação que não seja prazer. É gostoso passear num domingo a tarde pela feira hippie ou numa terça-feira de manhã pela feira da General Osório. A hippie é internacional, repleta de estrangeiros de todas as partes misturados aos cariocas do pós praia. A segunda tem cheiro de fruta fresca, de verdura e de temperos, onde se concentram senhoras de idade e as empregadas das madames Zona Sul.

Bom também é poder dar uma olhada naquela banca antiga em frente a praça Nossa Senhora da Paz. Umas revistas de gerações antigas que me levam a conclusão de que o mundo não mudou tanto assim quando se trata de comportamento humano. É bom, inclusive, dar uma sentada nesta praça e respirar um pouco o ar das árvores e plantas planejadas para estarem ali. Também ver as babás brincando com o bebezinhos e crianças da vizinhança. Dá uma cara mais de bairro ao lugar.

Confesso que me incomoda o trânsito e a quantidade de ônibus que passa por Ipanema. Mas é só ir até o calçadão e dar uma olhada na paisagem que tudo fica bem. À esquerda a pedra do Arpoador, no meio as Ilhas, à direita Leblon e morro Dois Irmãos. É uma vista bem especial que traz uma atmosfera muito agradável ao negócio todo.

Praia de Ipanema. Tenho a impressão que é divida quase que naturalmente em zonas. Lá no início da orla, encostada na pedra do Arpoador, está a zona dos surfistas que, quase sempre sem suceso, procuram uma boa onda para deslizar. Na seqüência, ainda no Arpoador está o que, sem nenhum preconceito meu, chamam de farofada. A galera mais popular, que vem em grupos grandes e que costumam fazer bastante barulho na areia.

Já no posto 8, em frente a Farme de Amoedo está a zona gay. É fácil avistar as bandeiras coloridas de qualquer parte da orla. Lá estão homens que gostam de desfilar, flertar e fazer contatos. O mar em si é o menos importante para os gays que frequentam esta parte da areia. O que eles querem é socializar. Os fortões gostam de exibir seus corpos e novas tatuagens. Os gringos vão para encontrar brasileiros que gostam de gringos, que por sinal são muitos, pagando ou não. Posso arriscar dizer que os "melhores gays" não frequentam esta parte da praia. É muita confusão, muita gente estranha e muito clima de pegação. É melhor ficar um pouquinho depois da Farme, em frente a Vinícius. São apenas alguns metros que fazem toda a diferença.

Perto do Ceasar Park está o posto 9, famoso por inventar moda e ser o point da galera da Zona Sul. Este ponto, exatamente por sua fama, está um pouco saturado. É possível até ver garotas de programa atrás dos hóspedes ricos dos hotéis da orla. Está ficando muito confuso também. A galera que antes frequentava o posto 9 buscou no coqueirão um abrigo. Para ver cariocas tipicamente e naturalmente atraentes, o coqueirão é o lugar.

Claro que no fim das contas, tudo é praia. Todos os esteriótipos caem por terra. Está todo mundo junto. Todos com o mesmo sentimento, loucos por praia, loucos por Ipanema.

Os barzinhos, restaurantes e lojas de Ipanema são sempre caros, mas não tem como não dar uma passada. Livrarias é um caso a parte. É uma beleza sair da praia, de chinelo mesmo, e passar numa livraria para dar uma olhada nas novidades, tomar um café, ver lançamentos de CD's e DVD's.

Nos verões, o melhor é esperar o pôr do sol na praia. Ou se quiser algo mais poético, ir a pedra do Arpoador. Fechar uma tarde com uma imagem maravilhosa daquelas não tem preço, como diz o comercial.

É bom também simplesmente caminhar pelas ruas, mesmo que sem nenhum objetivo pré estabelecido. Passear por Ipanema é poder ver muita gente bonita, muita gente gostosa mesmo. É um cheiro de sedução, de bronze e de sensualidade muito grande. Tanto para homens que gostam de mulheres, quanto para homens que gostam de homens e mulheres que gostam de mulheres. É muito saudável flertar e conhecer gente interessante.

Isso tudo me traz cada vez mais a certeza de que não conseguiria ficar muito tempo longe dali. Eu preciso respirar aquele ar, preciso sentir aquela atmosfera sempre. Eu amo Ipanema.

terça-feira, 27 de julho de 2010

GAMBIARRA - 24 JUL 2010


Chegar para uma festa no Museu de Arte Moderna iluminado já me deixa bastante empolgado. Ir a uma festa que tem a música brasileira de todas as vertentes possíveis como carro chefe me estimula ainda mais.

Assim começou a festa Gambiarra que aconteceu na varanda do Vivo Rio no dia 24 de julho. O espaço já nos convida a uma festa no mínimo bonita visualmente. Devido a badalação da festa era impossível não ter fila para entrar. Entretanto a agilidade da equipe dos caixas e da galera agradável que direcionava quem tinha convite promocinal para uma fila menor, fez do sistema uma forma tranquila e sem confusão de entrar na festa.

Lá dentro? Um lugar limpo, organizado, com espaços arejados e confortáveis! A decoração era praticamente a de sempre, bem colorida e original. Era muito fácil e rápido comprar bilhetes para bebidas. Vários caixas enfileirados horizontalmente e com simpatia suficiente para deixar os clientes satisfeitos. Na hora de pegar bebida também foi definitivamente simples. Os caras do bar eram práticos e rápidos. Aliás, a quantidade de staff para servir a galera era impressionante. Ninguém esperava mais de 1 min para ter sua bebida na mão. E isso, sem dúvida é muito importante. Afinal de contas quem quer ficar no balcão do bar com tanta música boa na pista?

Então! A música! Tenho a sensação de que as músicas eram melhores e mais envolventes que da última vez. Claro que os clássicos de sempre tocaram. Mas senti algo diferente. Talvez a energia. Talvez o set do Paulo Gustavo. Talvez um pouco de tudo. Não tinha como ficar parado com tanta música gostosa e divertida de ouvir. Quem não dançava, ao menos balançava o pé. Ainda mais quando, como da última vez, o Pedro abriu a pista 2, que encheu rapidamente ao som de clássicos do rock, pop e outras nuances populares.

Embora tenha resistência aos banheiros químicos, que deixam o espaço onde estão localizados com um fedor horroroso de urina, isso de fato não atrapalhou a festa. E eu que pensava que o penúltimo Chá da Alice tinha sido a melhor festa, me enganei. Cada vez mais a Gambiarra ganha pontos. Pricipalmente pela estrutura e localização. Digo não ao Circo Voador e sim ao Vivo Rio.

Saí somente depois da última música que, como sempre, fechou em grande estilo infantil a Gambiarra. À luz do sol carioca que brilhava nos espelhos d'água do MAM, ainda deu tempo para comentar sobre a festa do lado de fora.
Feliz, extremamente satisfeito e com a alma leve, fui para casa. Dormi de manhã, mas dormi bem. Sonhei. Sonhei bastante.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

RIO'S VISION - PART II


Local: Pão de Açúcar
Vista: Corcovado
Momento: Pôr do sol
Clima: Verão
Temperatura: Maravilhosamente agradável
Testemunhas: Eu, um amigo e minha camera
Topografia da cidade em foto: Simplesmente perfeita.
Sentimento: Amor - Pela minha cidade.

Foto de Filipe Eloy - publicada no caderno jovem Megazine, do Jornal O Globo.


Location: Sugar Loaf
View: Corcovado
Moment: Sunset
Climate: Summer
Temperature: Wonderfully nice
Witness: My camera, my friend and I.
Topography of the city on photo: Simply perfect.
Feeling: Love - About my city.

Photo by Filipe Eloy - published in the news paper O Globo.

DOLOROSAS REFLEXÕES


Desde pequeno fui tentado a acreditar que minha vida na terra não era fundamental. Na escola era o que ninguém sabia o nome. Era apenas o que tirava as boas notas. Em casa era o chamado "bicho do mato", era tímido e o menos popular na familia. Por eles, também era tentado a acreditar que era o menos querido, por ser o que menos aparecia. Durante muitos anos tive que lutar para me fazer acreditar que poderia fazer a diferença.

Muitos fatos que ocorreram nos últimos anos me ajudaram a ganhar o que chamam de "auto confiança", termo que ainda é muito estraho para mim. Ainda tenho medo de usá-lo. Lutei muito comigo mesmo para provar que poderia provar algo para alguém. É confuso, sim. Mas nao há forma mais simples de explicar.

Tenho a impressão que, mesmo sentindo que estou ganhando essa parada, o mundo ou, de repente a sociedade, ainda tenta me convencer de que minha presença aqui é indiferente. Indiferente. Esta palavra eu conheço muito bem. É o que sempre tentam me convencer que sou. Meus amigos tentam ferozmente me tirar dessa. Mas com o Mundo Inteiro meus amigos não podem.

Hoje vivo em meio a crises. Altos e baixos. Acho que sou capaz, depois acho o contrario. Me acho estranho, depois me sinto em perfeita sintonia com o mundo. Acho que me vitimizo, depois acho diferente. Me acho um merda, depois tento acreditar que sou o melhor no que faço. Ultimamente tenho achado também que fico sentado reclamando do mundo e acabo não fazendo nada para mudar. Pode ser verdade também.

Quando será que vou ganhar esta guerra? Qual a solução? Quando o mundo vai se curvar diante de mim e reconhecer que talvez eu seja uma peça importante deste lugar?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

PONTOS COTIDIANOS


No ponto de partida acordo com vontade de ver o sol.
Saio na rua para ver gente.
para sentir novos ares
Me sinto bem e refrescado.
O mar está lindo e o céu mais que limpo.
E o telefone sempre no bolso
esperando um toque especial.

No ponto de ascensão me encho de energia.
É o pico do sol, como está quente!
Ando com o corpo suado na praia
e sinto que me olham.
Me sinto quente, bonito e interessante.
A praia está menos que cheia, perfeita!
E no céu nenhuma nuvem, mergulho no mar.
O telefone ainda não sonou.
Mas a esperança cresce.

No ponto de cume me sinto perfeito.
Meu corpo fresco com o sol e a água.
O mate está uma delícia!
O público é admirável
e está interessado em se cruzar.
O telefone mudo ainda.
Mas não me importo, tem muita gente aqui.
Tenho opções, me sinto atraente.
Para que me importar com quem não está lá?

No ponto de declínio começo a esvaziar.
O corpo está cansado e a areia suja.
O mar fica mais frio e o sol se esconde nas nuvens.
Percebo que nem estavam me olhando tanto.
Na verdade ninguém me viu.
Estava invisível e iludido.
Resolvo sair, correr, fugir
antes que as coisas piorem.
O telefone não me chamar está me matando.
Me sinto ignorado.
Tem muita gente melhor do que eu.
Para que iriam me olhar?

No ponto mais fundo me sinto um merda.
Estou fora de forma, gordo, com braço fino.
O dia fica nublado, há uma tempestade de areia.
Estou sozinho, sem interações.
Sem ninguém que me perceba.
Porque olhariam para alguém tão desinteressante?
Desde de quando inteligencia tem músculo?
Tudo que é abstrato não atrai, não aproxima.
Me sinto agora burro também.
Chego em casa sujo e feio. A comida é requentada.
O chuveiro queimou. A temperatura cai.
Morro de frio.
O telefone não toca.
Estou ignorado por todos.
Resolvo tentando dormir. Tenho insônia.
Existe ponto mais baixo que o fundo?

ELIS REGINA - A DIMOND, RARE AND INCRERIBLE

Um vídeo raro para guardar por gerações que, como a minha, não estavam lá para presenciar tanto talento, poder de palco, formosura, técnica e o melhor da música popular brasileira. Uma louca inteligente, intensa, emocionada e incrivelmente apaixonada pelo que faz. Prestem atenção na filmagem de apenas um take e no visual do cenário. Uma obra prima para valorizar eternamente.

A rare video to keep for generations that, like mine, were not there to witness so much talent, power stage, beauty, technique and the best of Brazilian popular music. Crazy smart lady, intense, emotional and incredibly passionate about what she does. Pay attention to the one take shooting and the visual scene. A masterpiece to treasure forever.

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